Basta de genocídio sionista em Gaza! Viva a resistência palestiniana!

10 de Abril, 2024
7 mins leitura

Por UIT-QI

Seis meses após o início da agressão sionista contra o povo palestiniano em Gaza e na Cisjordânia ocupada, os objetivos da operação sionista não foram alcançados. Não conseguiram obter a rendição do Hamas, que continua a governar em Gaza, nem do povo palestiniano. Também não conseguiram controlar a Faixa. Apesar da situação difícil e da desigualdade militar, os combates continuam, inclusive no norte de Gaza, onde Israel afirmou ter destruído o Hamas; no entanto, sabe-se que continuam a morrer soldados sionistas no norte às mãos da resistência palestiniana.

Não conseguiram capturar nem matar os líderes da resistência, quer se encontrassem na Faixa de Gaza, quer no estrangeiro. Também não conseguiram resgatar nenhum refém nas mãos da resistência. A libertação de parte dos reféns só foi possível através de negociações.

No entanto, Israel prossegue com a limpeza étnica contra o povo palestiniano, bombardeando-o e deixando-o à fome. O recente ataque com mísseis contra um comboio humanitário que transportava alimentos para o norte de Gaza é prova disso. Ainda vemos também por outro lado que continua a impedir sequer a entrada de ajuda humanitária prepositadamente. A ajuda humanitária está a ser bloqueada, incluindo por colonos apoiados pelo exército que impedem a entrada de ajuda através do posto fronteiriço de Rafah.

Está a ocorrer um verdadeiro genocídio, refletido e testemunhado diariamente pelas imagens cruas e comoventes que nos chegam através os meios de comunicação social e circulam nas redes sociais. O balanço é de 33.360 mortos na Faixa de Gaza, 70% dos quais mulheres e crianças, e 75.993 feridos. Enquanto isso, na Cisjordânia, cerca de 457 palestinianos foram assassinados por colonos e pelo exército sionista.

Além de não ter alcançado os objetivos que se propôs e definiu no início da agressão, há seis meses, Israel encontra-se hoje mais isolado internacionalmente do que em qualquer outro momento desde 1948, ano em que o imperialismo fundou Israel como uma colónia retrógrada nos territórios palestinianos.

Continua a mobilização dos povos do mundo

O genocídio perpetrado por Israel contra o povo palestiniano, com o apoio financeiro e militar do imperialismo norte-americano e europeu, despertou uma mobilização maciça dos povos do mundo em apoio à Palestina e em repúdio à agressão sionista.

Os protestos espalharam-se por todos os continentes, com especial intensidade na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, no Norte de África, nos países árabes do Sudoeste Asiático, bem como na Ásia e na América Latina. No Iémen, milhões de pessoas saem às ruas quase semanalmente; em Itália, a cidade turística de Pisa foi palco de grandes protestos estudantis, violentamente reprimidos pela polícia; em Espanha, cidades como Madrid e Barcelona são o epicentro de grandes protestos; nesta última cidade, realizou-se recentemente um encontro para unificar a solidariedade com a Palestina na Europa. Na Jordânia, realizaram-se vigílias massivas durante vários dias em frente à embaixada de Israel. Em Londres e Nova Iorque, apesar do frio e da chuva, as pessoas saíram às ruas. Na Alemanha e na França, desafiam as restrições impostas pelos governos aos protestos de apoio à Palestina; em Berlim, Paris e outras cidades desses países, milhares de pessoas saem às ruas apesar da violência policial e enfrentam-na.

No passado dia 30 de março, Dia da Terra Palestiniana, realizaram-se mobilizações massivas em todo o mundo em apoio ao povo palestiniano e ao seu direito de regressar às terras de que foram despojados pelos ocupantes sionistas. Em Londres, cerca de 200 mil pessoas marcharam e outras 30 mil mobilizaram-se em Nova Iorque. As mobilizações em massa fazem lembrar o grande movimento mundial contra a guerra imperialista dos Estados Unidos no Vietname ou no Iraque.

Em Israel, mobilizam-se pedindo a demissão de Netanyahu

Tal como nos anos anteriores, os protestos continuam também no frente interna. Em Israel, todos os fins de semana são organizadas manifestações contra o governo de Netanyahu, exigindo que se chegue a um acordo que garanta a libertação dos reféns. A 1 de abril, milhares de pessoas marcharam em Tel Aviv, Jerusalém e Cesaréia, local onde se encontra a residência de Benjamin Netanyahu. A 7 de abril, cerca de 100 mil pessoas marcharam em Telavive exigindo “eleições já!” e a demissão de Netanyahu. As manifestações ocorreram simultaneamente em 50 cidades de Israel.

Aumenta o clamor pelo cessar-fogo e contra a venda e o envio de armas para Israel

O genocídio a que o mundo está a assistir e as mobilizações massivas em solidariedade com a Palestina estão a incomodar e pressionar as organizações internacionais imperialistas e os governos que as integram.

A 25 de março, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução a pedir um cessar-fogo imediato em Gaza, com 14 votos a favor e a abstenção dos Estados Unidos, um facto inédito. Pela primeira vez desde o início da agressão sionista, os EUA não fez uso do seu direito de veto. Embora se trate de votos de natureza política de uma organização imperialista, sem caráter vinculativo, e apesar de Israel não reconhecer esta resolução, o seu significado simbólico foi enorme.

Por seu lado, o principal órgão de direitos humanos das Nações Unidas aprovou, mais recentemente, uma resolução a solicitar aos países para que suspendessem a venda ou o envio de armas a Israel. Desde então, tem vindo a crescer em todo o mundo o clamor  e os apelos para que cesse o envio de armas à entidade sionista, a fim de travar o genocídio do povo palestiniano.

Nos últimos dias, cerca de 600 advogados, entre os quais quatro ex-magistrados do Supremo Tribunal do Reino Unido, tornaram pública uma carta na qual alertavam o primeiro-ministro de que corria o risco de ser cúmplice de crimes como o genocídio em Gaza.

Na carta, afirmavam que: “São necessárias medidas sérias para evitar a cumplicidade do Reino Unido em graves violações do direito internacional, incluindo possíveis violações da Convenção sobre o Genocídio“.

A pressão gerada pela resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU levou a própria presidente da Comissão de Assuntos Externos do Parlamento britânico, Alicia Kearns, a emitir uma declaração surpreendente: “Não temos outra opção senão suspender a venda de armas.

O fornecimento de armas para Israel já foi suspensa pela Bélgica, Espanha e pela empresa japonesa Itochu Corporation.

O imperialismo norte-americano impacienta-se com Netanyahu

O isolamento de Israel reflete-se também no facto de que o próprio Joe Biden e o imperialismo norte-americano, embora não deixem de o apoiar, tenham de se distanciar e exigir a Netanyahu que ponha fim à sua ação militar. Algo que o regime nazi-sionista rejeita sistematicamente.

Num indício da crescente impaciência de Washington face às consequências atrozes da agressão militar israelita em Gaza, Biden contactou Netanyahu por telefone na passada quinta-feira, 4 de abril, para o advertir de que o futuro apoio norte-americano à guerra dependeria da implementação de medidas destinadas à proteção dos civis e à permissão da entrada de alimentos.

Numa entrevista televisiva a 9 de abril, Biden, quando questionado sobre a política de Netanyahu em Gaza, afirmou que: “O que ele está a fazer é um erro. Não concordo com a sua abordagem“. Salientou que Israel deve agora aceitar o cessar-fogo e permitir a entrada de ajuda humanitária durante 6 a 8 semanas.

Até mesmo Trump criticou Israel, assinalando que “Israel deve pôr fim aos combates. Não podemos permitir que isto continue. Temos de chegar à paz (…) Têm de ter muito cuidado porque estão a perder muito apoio de grande parte do mundo“.

Ambos os casos refletem o contexto eleitoral presidencial de novembro nos Estados Unidos. No caso de Biden, oberva-se uma queda nas sondagens como consequência do apoio incondicional que tem prestado a Israel nos últimos seis meses.

A UIT-QI apela ao reforço da solidariedade com o heróico povo palestiniano

Apesar do genocídio perpetrado por Israel em Gaza, e embora possa parecer contraditório, é precisamente devido a este terrível massacre e destruição massiva perpetrado pelo sionismo que podemos prever o agravamento da crise do sionismo num futuro não muito distante. E, em última análise, poderão ser criadas as condições para que o povo palestiniano e as massas do mundo imponham o fim do apartheid sionista.

No passado mês de fevereiro, o historiador israelita não sionista Ilan Pappé afirmou, numa conferência em Londres entitulado “Está escuro antes do amanhecer, mas o colonialismo de colonatos israelita está a chegar ao fim“, que “a atual guerra de Israel contra Gaza pode ser ‘o momento mais sombrio da história da Palestina, mas foi a escuridão antes do amanhecer’ .(…) o momento mais escuro da noite antecede sempre o amanhecer de um novo dia“, indicando que o fim do apartheid sionista na Palestina se aproxima. Argumenta que a extrema brutalidade, violência e genocídio a que assistimos são sintomas de um regime que luta pela sua sobrevivência, mas que, em última análise, sinalizam o fim do colonialismo de colonatos israelita e a queda do Estado de Israel tal como existe atualmente, bem como do sionismo. Isto só será alcançado com a resistência do povo palestiniano e uma mobilização mundial massiva, até impor um Estado palestiniano único, laico, democrático e não racista, no território histórico “do rio até ao mar“, como clama o movimento mundial de solidariedade.

A luta dos combatentes em Gaza continua, com o apoio da resistência heróica de todo o povo palestiniano. Neste contexto, a UIT-QI, como parte do movimento mundial de solidariedade, continua a apoiar a luta do povo e a resistência palestiniana em Gaza e na Cisjordânia ocupada contra Israel. Apelamos a redobrar a mobilização mundial massiva e unida em solidariedade.

Por isso, continuamos a apelar para que os povos do mundo exijam aos seus governos a rescisão de todos os acordos económicos, comerciais, culturais, academicos e militares com Israel. Chega de armas para Israel! Chega de ajuda financeira e militar dos Estados Unidos, da Alemanha, da Europa e de outros países à entidade sionista! Repudiamos a coligação naval estabelecida pelos Estados Unidos para enfrentar os ataques dos houthis do Iémen no Mar Vermelho, contra navios israelitas ou que transportem mercadorias para a entidade sionista. Que a frota norte-americana se retire das proximidades de Israel e do Médio Oriente!

Que os povos, através da sua mobilização, exijam aos seus governos, em particular aos governos árabes que muito pouco têm feito para apoiar os palestinianos, que rompam relações com Israel e apoiem a resistência palestiniana com tudo o que for necessário!

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