Ativistas da Flotilha sequestrados são vítimas de violência e interrogatórios ilegais sob custódia israelita

2 de Maio, 2026
2 mins leitura

Por UIT-QI

Partilhamos abaixo o comunicado de ‘Adalah – Centro Jurídico para os Direitos da Minoria Árabe em Israel’, organização de direitos humanos e gabinete de advogados, que estão a representar e defender juridicamente a Flotilha ‘Global Sumud’

Os advogados da ‘Adalah‘ acabaram de concluir uma visita à prisão de Shikma, onde se reuniram pela primeira vez com os ativistas da Flotilha ‘Global Sumud‘, Thiago de Ávila e Saif Abukeshek, desde o seu sequestro pela Marinha israelita na madrugada de quinta-feira, 30 de abril, em águas internacionais perto de Creta. Os depoimentos comoventes de ambos os ativistas revelam violência física e o facto de terem sido mantidos durante longos períodos em posições de tensão pelas forças militares israelitas durante os últimos dois dias que passaram no mar. Ambos os ativistas chegaram esta manhã ao centro de detenção de Shikma, em Ashkelon, após mais de dois dias sob custódia naval.

Thiago de Ávila denunciou ter sido vítima de brutalidade extrema por parte dos militares israelitas durante a apreensão das embarcações. Foi arrastado de bruços pelo chão e espancado com tanta violência que perdeu a consciência por duas vezes. Atualmente, apresenta hematomas visíveis no rosto, incluindo à volta do olho esquerdo, e refere mobilidade reduzida e dor intensa na mão. Desde a sua detenção pelo exército israelita até à sua transferência para o Serviço Prisional de Israel, mais de dois dias depois, permaneceu isolado e com os olhos vendados. Encontra-se agora detido numa cela sem janelas. Thiago declarou ter sido interrogado pela agência de inteligência Shabak (ISA) e afirmou que lhe disseram que seria posteriormente interrogado pelo Mossad sob suspeita de “pertença a uma organização terrorista“. Embora os advogados da Adalah tenham exigido informações sobre as acusações, as autoridades israelitas recusaram-se a fornecê-las.

Saif Abukeshek declarou ter permanecido com as mãos amarradas e os olhos vendados, e obrigado a ficar deitado de barriga para baixo no chão desde a sua detenção até esta manhã, o que lhe provocou hematomas no rosto e nas mãos. Após chegar ao centro de detenção de Shikma, declarou que lhe informaram que estava a ser interrogado pelo Shabak sob suspeita de “pertença a uma organização terrorista“.

Tanto o Thiago como o Saif entraram em greve de fome, embora continuem a beber água.

Os dois ativistas comparecerão amanhã, domingo, 3 de maio de 2026, às 9h30, perante o Tribunal de Magistrados de Ashkelon para uma audiência em que será solicitada a prorrogação da sua detenção. A Adalah sustenta que o tratamento recebido pelos dois ativistas, incluindo o isolamento, a venda prolongada dos olhos e as agressões físicas, constitui uma grave violação do direito internacional. A Adalah argumenta ainda que qualquer interrogatório aos ativistas é ilegal e que estes devem ser libertados imediatamente.

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