A bordo da Flotilha Global Sumud: A UIT-QI a caminho de Gaza

5 de Setembro, 2025
3 mins leitura

Pela Luta Internacionalista (LI), secção da UIT-QI no Estado Espanhol

Já a bordo da embarcação ‘Sirius’, rodeada pelo resto da frota da Flotilha Global Sumud, entrevistámos os nossos companheiros da UIT-QI, Juan Carlos Giordano, deputado do congresso argentino eleito pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U), e membro da Esquerda Socialista (IS), e Ezequiel Peressini, ex-deputado da província de Córdoba e colaborador da direção da nossa internacional.

Por que decidimos envolver-nos como UIT-QI?

EP: Fazemos isso porque é uma importante expressão unitária e internacional da repulsa mundial a um genocídio televisionado, que despertou o ódio de amplos setores da classe trabalhadora e crescentes mobilizações em todos os continentes. A partir do aniversário da Nakba, a 15 de maio de 2025, houve um salto na solidariedade mundial com o povo palestino. A marcha mundial para Gaza, que atravessou o deserto egípcio com delegações de vários países, os navios Madleen e Handala que tentaram chegar a Gaza em junho e julho e a repressão aos ativistas que neles navegavam, potenciaram a repulsa mundial e um crescimento nas mobilizações.

A ‘Global Sumud Flotilla‘ é a maior mobilização marítima no mar Mediterrâneo, fazemos parte dela e iniciámos a travessia para exigir a abertura imediata de um corredor humanitário. Exigimos que todos os governos garantam a segurança de todos os navios e de cada um dos tripulantes da Flotilha, já ameaçados pelo governo nazista-sionista israelita de nos tratar como terroristas.

As pressões do sionismo são fortes na Argentina, Juan Carlos. Que tipo de assédio sofreste por causa desse problema?

JC: Na Argentina, o sionismo faz parte da classe dominante e está institucionalizado em todos os partidos patronais, na justiça e no parlamento. O governo de Milei é a expressão mais clara disso. Os diplomatas de Milei votam com os de Israel na ONU, defendem rigorosamente a expulsão enquanto negam o genocídio, e convidam Netanyahu para vir ao nosso país. Nós apresentámos uma denúncia criminal contra Netanyahu para que ele seja detido imediatamente se pisar solo argentino por ter sido condenado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional, condenação que a Argentina deve executar por ser signatária do ‘Estatuto de Roma‘.

Durante o mês de junho, jurei, na minha bancada, pela luta do povo palestino e denunciei o genocídio. Imediatamente, os deputados e deputadas mais reacionários do Proposta Republicana (Partido do Macri), entre outros, saíram a exigir a anulação do juramento. Mas não conseguiram, pois sabiam que eu voltaria a jurar da mesma forma.

Mas não é a primeira vez que isso acontece. Anteriormente, por intervenções no parlamento e pela nossa participação ininterrupta no apoio ao povo palestino, as organizações mais destacadas do sionismo promoveram um julgamento contra mim, mas não conseguiram levá-lo adiante.

A UIT-QI não está só na frota. Conte-nos algumas das ações de solidariedade em que vocês estão envolvidos a nível internacional.

EP: A nossa organização internacional faz parte do movimento mundial de apoio à Palestina e queremos que ela se transforme no Vietname do imperialismo do século XXI. Em solidariedade, destaca-se a campanha muito relevante que os companheiros e companheiras da Luta Internacionalista vêm garantindo há meses e que, juntamente com setores importantes do movimento operário, já enviou 17 remessas de ajuda humanitária ao sindicato palestiniano União independente dos Comités de Trabalhadores – Palestina (ILCUP) no norte de Gaza.

Por que é que Gaza é importante para a situação mundial?

JC: A situação de Gaza é importante porque é o ponto mais crítico da luta de classes mundial. O projeto imperialista da criação de Israel e sua consequente ocupação do território histórico da Palestina, com a expulsão maciça e sistemática de sua população, mostrou sua face nazista. O imperialismo norte-americano, o garante da impunidade do sionismo e principal sustentador económico e militar de Israel, juntamente com o imperialismo europeu, enfrenta o povo palestiniano pela recuperação do seu território, dos seus direitos e da sua liberdade: é uma luta profunda de todos os povos explorados e oprimidos do mundo. Se a Palestina triunfar, os povos do mundo triunfarão.

Que solução defendemos?

JC: O atual genocídio e o fracasso da diplomacia capitalista em conseguir sequer um cessar-fogo, diante de um massacre de mais de 62 mil pessoas, demonstra que enquanto Israel continuar sendo o gendarme do imperialismo no Médio Oriente, o genocídio do povo palestino será frequente e permanente. É por isso que a teoria dos dois Estados fracassou.

EP: Nós continuamos a levantar a consigna histórica da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) – abandonada por Arafat e a sua direção capituladora, e agora também pelo Hamas – da luta por uma Palestina laica, democrática e não racista em todo o território histórico da Palestina. Por isso, fazemos nossa a consigna “Palestina, do rio ao mar“.

Ir paraTopo

Don't Miss