Pela UIT-QI
Desde que Donald Trump atacou militarmente a Venezuela, sequestrando Nicolás Maduro e sua esposa, e deixando mais de 100 pessoas mortas, o imperialismo norte-americano aprofunda a sua contraofensiva imperialista sobre a América Latina, impondo um bloqueio petrolífero criminoso sobre Cuba. O mecanismo é simples: após acordar com o governo chavista de Delcy Rodríguez uma reforma da ‘Lei de Hidrocarbonetos‘ para entregar o petróleo às transnacionais, Trump usa o seu controlo sobre a Venezuela para paralisar o envio de petróleo para a ilha, e ameaça o México com sanções se o fizer. Esta política está a deixar Cuba sem recursos energéticos, agravando fortemente a crise que há anos atinge o povo cubano.
Cuba está a ficar sem combustíveis e sem energia elétrica para garantir o funcionamento dos serviços sociais mais básicos. A falta de energia obriga as famílias a recorrer à lenha para cozinhar os seus alimentos. O transporte público está paralisado, os aeroportos fechados e os hospitais, as escolas e a produção e conservação de alimentos podem entrar em colapso, deixando o povo sem comida. O plano de Trump e a sua política imperialista criminosa são um castigo direto ao povo cubano.
A crise energética da ilha não é apenas resultado do repugnante embargo que os Estados Unidos impõem a Cuba desde 1962. Embora o bloqueio e as atuais medidas de Trump levem a crise energética ao colapso permanente, a falta de energia é também resultado da política aplicada pelo governo de Díaz-Canel e da destruição das conquistas socialistas da revolução de 1959 após a restauração capitalista, impulsionada pela burocracia do Partido Comunista Cubano e o consequente abandono do obsoleto sistema de geração de energia. Isto enquanto o setor hoteleiro de luxo, que o governo compartilha com empresas transnacionais em ‘joint ventures‘, absorve recursos importantes.
O bloqueio criminoso é uma ferramenta com a qual Trump procura subordinar Cuba e outros países da América Latina às suas políticas e pactos, com o objetivo de reverter a crise económica e de dominação do imperialismo norte-americano, retomando para isso a ‘Doutrina Monroe‘. No passado dia 4 de janeiro, Díaz-Canel falou na televisão nacional e reconheceu a sua disponibilidade para negociar com Trump. Em Cuba, existe o risco de que – tal como fez o governo chavista de Delcy Rodríguez na Venezuela – o governo do partido único (PC) de falso socialismo pactue com Trump novas medidas nas costas do povo cubano; medidas que, longe de resolver as necessidades sociais urgentes, aprofundarão a crise com uma maior subordinação ao imperialismo ianque.
A partir da Unidade Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Quarta Internacional (UIT-QI), repudiamos categoricamente o bloqueio petrolífero imposto por Donald Trump, da mesma forma que lutamos para acabar com o bloqueio norte-americano como um todo. Para além das diferenças que mantemos com o Governo cubano e todo o seu regime autoritário, apelamos à mais ampla mobilização dos povos do mundo para exigir o fim do bloqueio petrolífero e o envio imediato de petróleo para que o povo cubano tenha acesso à energia elétrica e ao combustível vitais. Repudiamos as chantagens e as pressões tarifárias de Trump sobre outros países para evitar o envio de petróleo e exigimos que o governo mexicano de Claudia Sheinbaum e os governos que se dizem “progressistas“, como Lula no Brasil ou Petro na Colômbia, disponham o envio imediato e solidário de petróleo sem custos para que o povo cubano possa resolver as suas urgentes necessidades sociais.