Davos: mais impunidade para os super-ricos do mundo

23 de Janeiro, 2026
2 mins leitura

Por Mercedes Trimarchi, vereadora eleita pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U), e membro da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina

De 19 a 23 de janeiro, realizou-se em Davos (Suíça) a 56ª reunião anual do Fórum Económico Mundial, um evento que, desde a década de 1970, funciona como uma verdadeira cimeira do poder económico global, onde os empresários mais ricos do planeta e os governos a seu serviço acordam como aprofundar a pilhagem capitalista, ajustar os povos e garantir a impunidade dos multimilionários. Javier Milei esteve presente, assinando o seu compromisso como membro do “Board of Peace” (‘Conselho da Paz‘), uma espécie de ONU paralela com a qual Donald Trump pretende continuar a dominar o mundo.

Numa sala semivazia, Milei leu o seu discurso. Nele, disse que Maquiavel havia morrido para anunciar o fim da relação entre o justo e o eficiente, mas rapidamente voltou a levantar dicotomias anacrónicas, como a do Ocidente contra o Oriente, para reivindicar o ‘Conselho da Paz‘, um acordo que foi rejeitado por quase todos os países europeus. Um novo fracasso que Milei tenta dissimular com frases grandiloquentes.

O presidente voltou a reivindicar os “valores judaico-cristãos” como desculpa para atacar a cultura ‘woke‘, as lutas feministas e os movimentos sociais. Ele falou sobre o direito à vida e à liberdade, mas a liberdade que Milei defende é a liberdade dos grandes empresários de despedirem, explorarem e se apropriarem do trabalho alheio. Sua defesa fanática do capitalismo como um sistema justo colide de frente com a realidade: o mundo está cada vez mais desigual e a riqueza está concentrada nas mãos de poucos em níveis obscenos.

De acordo com o relatório 2026 da ONG Oxfam, a riqueza dos multimilionários cresceu mais de 16% em 2025 e atingiu o recorde histórico de 18,3 biliões de dólares, enquanto uma em cada quatro pessoas no mundo passa fome. Este é o sistema que Milei elogia em Davos e pretende aprofundar na Argentina com austeridade, despedimentos e repressão.

Hoje, os multimilionários compram influência política e mediática para impor regras à sua medida. Jeff Bezos (Amazon), Mark Zuckerberg (Meta/faceook) ou Elon Musk (TeslaX) lideram uma verdadeira oligarquia global que financia campanhas, pressiona governos e obtém isenções fiscais, enquanto milhões de pessoas veem as suas condições de vida degradarem-se. Não se trata de liberdade, mas de um regime ao serviço do capital concentrado.

Na Argentina, esse modelo tem beneficiários concretos. Marcos Galperin, o homem mais rico do país e financiador da campanha de Milei, recebeu isenções fiscais no valor de 247 milhões de dólares em apenas três anos. Ao mesmo tempo, os despedimentos durante o governo de Milei já chegam a cerca de 400 pessoas por dia. Os salários e as pensões são de pobreza e afundam-se diante de uma inflação que não dá tréguas.

Neste contexto, o governo pretende avançar com uma reforma laboral que será debatida no Senado e que constitui um ataque direto aos direitos conquistados pela classe trabalhadora após décadas de luta e organização. Se for aprovada, significará mais precariedade, menos direitos e maiores lucros para os patrões. Diante de um governo que continua beneficiando os ricos, entregando o país ao capital estrangeiro, aprofundando o extrativismo e aplicando ajustes brutais à maioria da população, a resposta tem que ser nas ruas. Por isso, convidamos a se organizarem com a Esquerda Socialista na FIT-U para enfrentarmos a reforma laboral, derrotar a austeridade de Milei e defender cada um dos direitos conquistados com a mobilização. Junta-te a nós nesta luta!

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