Este mês na história: Fundação da NATO

4 de Abril, 2026
2 mins leitura

Pelo Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Há 77 anos, a 4 de abril de 1949, 12 Estados imperialistas, liderados pelos EUA, anunciaram a criação da NATO, a aliança militar reacionária a que deram o nome de Organização do Tratado do Atlântico Norte. Com raízes na ‘Doutrina Truman‘, que previa a luta dos Estados Unidos contra as ameaças “autoritárias” nos países aliados no pós-guerra, o objetivo aparente desta aliança era o seguinte: estabelecer uma frente de defesa comum dos países membros contra qualquer ataque. É claro que, na realidade, as referidas ameaças “autoritárias” eram os partidos comunistas e a luta das massas populares que surgiram no mundo do pós-guerra, enquanto os “ataques” eram da União Soviética, o Estado operário que, apesar de todas as suas perdas, saiu da guerra tendo alargado a sua esfera de influência. Com a fundação da NATO, a nova ordem mundial, que já estava a ser construída, ganhou caráter oficial; o mundo estava agora dividido em dois, entre a Frente Ocidental da NATO e o Bloco de Leste do Pacto de Varsóvia, e a Guerra Fria tinha começado oficialmente.

A Turquia também não podia ficar indiferente a esta mudança profunda no mundo. O recém-formado governo do Partido Democrata (PD) tencionava optar pela NATO. O PD, defensor do comércio livre e entusiasta do Plano Marshall, ansiava por aderir à NATO, de acordo com as necessidades da burguesia agrícola e comercial turca, para dissuadir a ameaça do “comunismo“. A oportunidade que o governo do PD procurava para aderir à NATO surgiu com o início oficial da Guerra da Coreia, a 25 de junho de 1950.

Apenas cinco dias após o início da guerra, e apenas 46 dias após a chegada do PD ao poder, a Turquia tomou a decisão de entrar na guerra, a 30 de junho. Para o PD, esta era uma oportunidade imperdível; a tal ponto que a decisão de enviar tropas para a Coreia foi tomada pelo Conselho de Ministros sem sequer ser necessário consultar o parlamento, tendo Adnan Menderes legitimado a decisão de contornar o parlamento com o argumento de que “não se podia deixar o assunto arrastar-se“. Que a razão para entrar na guerra não era uma ameaça clara da União Soviética, mas sim o objetivo de “elevar o prestígio” da Turquia e criar uma oportunidade para aderir à NATO, ficou claro nas próprias declarações de Menderes. Foi neste contexto que 15 mil soldados da República da Turquia foram enviados para a frente de batalha a 17 de setembro. O governo do PD acabou por conseguir o que queria; a Turquia tornou-se oficialmente membro da NATO a 18 de fevereiro de 1952 e conquistou o seu lugar na nova ordem mundial como posto avançado do imperialismo. O preço desta adesão ficou na história como a morte de mais de 700 soldados.

Estamos agora em 2026; já passou muito tempo desde o colapso da União Soviética, mas a NATO continua a existir. Esta aliança maligna, criada sob o pretexto da “defesa“, longe de proteger os seus países membros, transforma-os ela própria em alvos fáceis em guerras regionais. Os povos da Turquia já não tinham qualquer benefício com a adesão à NATO; agora, além disso, são colocados perante o risco de serem arrastados para uma guerra que não lhes promete nada além de pobreza e morte; e ainda por cima no lado errado! Ser um país da NATO significa que a Turquia é cúmplice dos crimes de guerra dos EUA imperialistas e dos ataques de genocídio e ocupação do Estado sionista. Para não ser arrastada para uma guerra injusta e não ficar no lado errado da história, a Turquia deve sair da NATO, e as bases americanas de Kürecik Incirlik (uma instalação rádio e base aérea militar, respectivamente), que servem de escudo ao Estado sionista de Israel, devem ser imediatamente encerradas.

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