Tunísia: Liberdade para os líderes da ‘Flotilha Global Sumud’

17 de Março, 2026
2 mins leitura

Pela UIT-QI

Desde o passado dia 6 de março, um grupo de organizadoras e organizadores da delegação tunisina da Flotilha ‘Global Sumud’ (‘FGS‘) encontra-se detido e preso. Os dirigentes Wael Nouar, Jawaher Channa, Nabil Chanoufi, Sana Msahli e Mohammed Amin Belnour foram detidos num hotel na localidade de Sidi Bou Said pela unidade de polícia antiterrorista, conforme informado num comunicado de imprensa.

As detenções ocorreram depois de a polícia da Tunísia ter impedido a realização de várias atividades organizadas pela FGS naquele país. A 4 de março, a polícia interrompeu a reunião dos dirigentes locais e internacionais com as organizações de trabalhadores portuários de Sidi Bou Said que se solidarizaram com a frota em setembro de 2025. Nessa ação, foram detidos vários dirigentes, entre eles Thiago Ávila, da delegação brasileira e responsável pela América Latina. A 5 de março, o governo e as autoridades cancelaram uma atividade pública, previamente programada, que se realizaria no Cine-Théâtre Le Rio, em Tunes.

Recorde-se que o Porto de Sidi Bou Said foi o local onde a Flotilha chegou na noite de 7 de setembro de 2025 e o cenário em que Israel executou ataques com explosivos incendiários, utilizando drones contra dois dos seus navios (‘Familia Madeira‘ e ‘Alma‘).

Várias organizações manifestaram a sua solidariedade para com os líderes detidos. Entre elas, o Fórum Tunisino pelos Direitos Económicos e Sociais e outras 17 organizações, como a Amnistia Internacional, que expressou a sua “preocupação” face às “crescentes” restrições às manifestações de apoio ao povo palestiniano.

Apesar da crescente repulsa face à criminalização, repressão e encarceramento por parte do governo e das autoridades contra a Flotilha na Tunísia, e do apelo generalizado pela libertação dos presos, um juiz tunisino decretou, nesta segunda-feira, 16 de março, prisão preventiva para os membros do comité de coordenação da Global Sumud, sob acusações maliciosas e fraudulentas de “falsificação, posse e uso de documentos falsificados, fraude, abuso de confiança, registos falsificados e branqueamento de capitais“.

A organização internacional de solidariedade com o povo palestiniano afirmou que, apesar da intimidação e da intenção de bloquear os importantes portos tunisinos, “A nossa missão permanece inalterada. Nesta primavera, lançaremos novamente uma missão civil histórica do Mediterrâneo para Gaza, para desafiar o cerco e apoiar o povo palestiniano. Estamos confiantes de que o povo da Tunísia, cuja solidariedade com a Palestina sempre foi forte e visível, desempenhará mais uma vez um papel vital neste esforço histórico“.

A partir da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), enquanto parte do movimento mundial de apoio ao povo palestiniano e colaboradores ativos da Flotilha ‘Global Sumud’ desde 2025, repudiamos a prisão e o julgamento dos dirigentes tunisinos e apelamos a que se amplie a exigência pela sua libertação imediata e pela anulação dos processos.

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