Por um correspondente em Bremen, Alemanha
Dia de manifestações convocadas pela DGB; Continuemos a mobilização e a luta até derrotarmos o governo de Merz!
No sábado, 26 de setembro, foram convocadas manifestações em 16 cidades da Alemanha pela DGB (‘Confederação Sindical Alemã‘). A convocatória visava principalmente rejeitar a política do governo central. De acordo com várias sondagens, Merz é o presidente com o maior índice de rejeição desde o pós-guerra. Alguns analistas chegam a afirmar que se trata de um governo praticamente moribundo. As manifestações contaram com a presença dos sindicatos membros da Confederação Sindical, de partidos de esquerda e de muitas organizações sociais. Em Bremen, reuniram-se cerca de 8.000 pessoas. As manifestações foram, sem dúvida, “utilizadas” pelos diversos setores sociais para expressar o seu mal-estar e a sua repulsa ao governo. As reivindicações, tanto nos discursos como nos panfletos e cartazes, eram contra os cortes no Estado social, contra os despedimentos na indústria automóvel, por uma distribuição mais justa da riqueza, contra a política de armamento e belicista do governo, contra o serviço militar obrigatório, contra a falta de habitação e os preços das rendas, contra a reforma laboral e a possibilidade de prolongar até 4 anos os contratos a termo, etc.
Nestes dias, houve também manifestações de estudantes com reivindicações semelhantes e, principalmente, contra o serviço militar obrigatório, algo muito rejeitado pelos jovens.
Embora as manifestações continuem a ser um fenómeno de vanguarda, o que é evidente é que a rejeição latente à política do governo, aos aumentos de preços – sobretudo dos alimentos e da gasolina -, à política de armamento e aos cortes, etc., está a começar a manifestar-se não só nas eleições regionais, mas também nas ruas.
Tudo parece indicar que esta situação de descontentamento e de disposição para a mobilização irá intensificar-se. Participar neste processo para contribuir para a sua continuidade e desenvolvimento é uma tarefa fundamental da esquerda revolucionária. É a partir daí que poderão surgir novas lideranças políticas e sindicais capazes de enfrentar as lideranças tradicionais (SPD, CDU, DGB, IG Metall, etc.), que não fazem mais do que travar e desviar a luta. É também o melhor ponto de partida para construirmos uma alternativa à AfD, que, infelizmente, está a surgir como uma possibilidade de mudança para um setor importante da população.