Pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSL), secção da UIT-QI na Venezuela
Nós, do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), rejeitamos categoricamente a disposição do governo venezuelano de restabelecer relações consulares com Israel.
Num comunicado recente emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do nosso país, os governos de ambos os Estados teriam acordado dar continuidade à “cooperação técnica bilateral decorrente dos esforços de emergência e recuperação após o duplo terramoto” de 24 de junho passado.
Além disso, teria sido acordado “estabelecer um mecanismo de coordenação que permita a prestação de serviços consulares aos respetivos cidadãos residentes no outro país, conforme necessário”.
Como é sabido, a entidade sionista e genocida já tinha enviado ao país uma suposta “missão humanitária“, com o argumento de prestar ajuda ao nosso país após o duplo sismo. Agora, o governo de Delcy Rodríguez aprofunda a relação estabelecida com Israel e alarga-a ao plano diplomático, restabelecendo as relações consulares que, do nosso ponto de vista, constituem um primeiro passo para a reabertura das embaixadas e o restabelecimento das relações diplomáticas rompidas há 17 anos.
As recentes ações do governo venezuelano em relação a Israel inscrevem-se no pacto de rendição que celebrou com o imperialismo norte-americano.
Avançar numa suposta cooperação com Israel e no restabelecimento das relações consulares não faz mais do que dar uma imagem positiva a um Estado que tem vindo a cometer um genocídio aberto contra o povo palestiniano em Gaza e na Cisjordânia. Isto acontece dias depois de a entidade sionista ter rejeitado o limitado e falso “plano de paz” apresentado por Donald Trump e se ter recusado a retirar-se dos territórios ocupados de Gaza, confirmando a sua disposição para continuar a agir militarmente contra o povo palestiniano na Faixa de Gaza.
Nos últimos quatro anos, Israel matou mais de 73 mil palestinianos, só em Gaza, a maioria dos quais mulheres, meninas e meninos, e outros 1.300 na Cisjordânia ocupada.
O governo criminoso de Netanyahu e o seu gabinete de ultraconservadores e racistas foram acusados pela África do Sul e por outros países perante o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) por violação da Convenção contra o Genocídio na Faixa de Gaza. Além disso, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de detenção contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, por alegados crimes de guerra e contra a humanidade.
No momento em que o Estado artificial israelita se encontra mais isolado internacionalmente, o governo chavista de Delcy Rodríguez, no seu empenho em granjear a simpatia dos Estados Unidos, abre as portas do país aos genocidas sionistas.
Reafirmamos a nossa mais veemente repulsa ao restabelecimento de qualquer tipo de relação com Israel.
O povo venezuelano deve rejeitar qualquer tentativa de branquear a imagem de genocidas, que estão a ser investigados pelo Tribunal Penal Internacional e pelo Tribunal Internacional de Justiça.
Não ao restabelecimento das relações consulares com Israel!
Não ao pacto de capitulação do governo com Trump!