O El Niño vem com força total

23 de Setembro, 2026
2 mins leitura

Pela Camila Urquiza, militante da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina

O fenómeno do El Niño está a intensificar-se e os organismos científicos alertam que poderá atingir uma intensidade excecional no final do ano. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) estima que haja 75% de probabilidade de, entre outubro e dezembro de 2026, o fenómeno ultrapassar a intensidade dos episódios registados desde 1950. A Organização Meteorológica Mundial prevê também que continue a intensificar-se e que persista, praticamente com certeza, até ao início de 2027.

Esta informação surge na sequência de mais um recorde climático. O Copernicus informou que agosto de 2026 foi o agosto mais quente desde que existem registos e, juntamente com julho de 2023, o mês mais quente registado à escala global. A temperatura média mundial atingiu os 16,96°C, 1,65°C acima da média estimada para a era pré-industrial. A temperatura da superfície do mar também atingiu níveis recorde. Samantha Burgess, do Centro Europeu para as Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, salientou que provavelmente a humanidade não tenha registado temperaturas tão elevadas, pelo menos nos últimos 100 mil anos.

A combinação é explosiva. O El Niño é uma variação natural do clima provocada pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial. Quando atinge grande intensidade, pode alterar os padrões de precipitação e temperatura em diferentes regiões do planeta e aumentar o risco de inundações, secas, incêndios e outros fenómenos extremos. O aquecimento global multiplica essa ameaça. A queima de carvão, petróleo e gás já elevou a temperatura do planeta em cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial e as emissões de gases com efeito de estufa continuam em níveis históricos.

Falar de uma responsabilidade da “humanidade” em termos abstratos oculta quem detém o poder nas principais decisões económicas e energéticas. Para a Esquerda Socialista (IS), o cerne do problema reside no sistema capitalista e imperialista, nas grandes potências e nas multinacionais do petróleo, do gás e do carvão, que sustentam os seus lucros com a exploração dos combustíveis fósseis. As responsabilidades também não estão distribuídas de forma equitativa. Os Estados Unidos concentram cerca de 24% das emissões históricas de CO₂ provenientes de combustíveis fósseis e da indústria, enquanto a China representa cerca de 15% e é atualmente o principal emissor anual.

Os recordes de temperatura e o fenómeno El Niño que ameaça atingir uma magnitude histórica voltam a colocar em evidência a gravidade da crise climática. No âmbito deste sistema capitalista, todos os governos mantêm políticas que continuam a agravar a devastação ambiental. Na Argentina, a situação é ainda pior, tendo como presidente um negacionista desta crise climática que pretende continuar a promover políticas extrativistas para que todos os recursos comuns acabem nas mãos das multinacionais. Por isso, a partir da IS, defendemos que é preciso lutar contra Milei e os seus interesses de continuar a beneficiar as grandes multinacionais, avançar para uma transição energética e organizar a produção e os bens comuns em função das necessidades sociais e ambientais, em conjunto com as comunidades.

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