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Um conceito: a Quarta Internacional

4 de Setembro, 2026
2 mins leitura

Por Kenan Zorlu, militante do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Uma das características mais importantes do movimento operário contemporâneo é o seu caráter internacional. Desde o momento em que começou a formar-se, o capitalismo tem atraído todos os cantos do mundo para o sistema de capital-trabalho assalariado-exploração do trabalho, não deixando, nos dias de hoje, nenhuma comunidade humana de dimensão significativa fora do capitalismo. Esta tendência do capitalismo conduziu, simultaneamente, à formação da classe operária moderna em todos os países e agudizou as contradições entre as classes em todos os cantos do mundo. É por isso que o socialismo não pode ser construído num único país e que o partido político da classe operária deve ser internacional.

No século XIX, esta realidade foi compreendida por Marx e Engels, tendo sido fundada a Primeira Internacional sob o nome de “União Internacional dos Trabalhadores“. Em 1876, desintegrou-se na sequência da derrota da Comuna de Paris e da incapacidade de entendimento entre as diferentes correntes políticas que a compunham. A Segunda Internacional (‘Internacional Socialista‘) foi fundada em 1889, em Paris. Embora Marx não tenha chegado a ver a sua fundação, Engels apoiou-a e acompanhou-a pessoalmente. A Segunda Internacional foi influenciada pela aristocracia operária emergente na Europa; muitos dos seus líderes começaram a preferir reformas capitalistas em vez da revolução operária e, em 1914, na véspera da guerra mundial, ordenaram às classes trabalhadoras que apoiassem os objetivos de guerra dos seus próprios governos capitalistas. Em resposta a isso, foi fundada a Terceira Internacional (‘Internacional Comunista‘), liderada por Lenin e Trotsky, da Rússia, e por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, da Alemanha, contra a guerra imperialista. A Terceira Internacional conseguiu, a partir da enorme devastação causada pela guerra imperialista, criar um Estado operário na Rússia e um forte movimento operário à escala europeia.

Como único Estado operário do mundo, a União Soviética detinha grande peso no seio da Terceira Internacional. Após ter perdido os setores mais combativos da classe operária na guerra travada na Rússia contra o Exército Branco – que era o exército dos capitalistas e imperialistas -, o Estado operário tornou-se burocrático. Inevitavelmente, a Terceira Internacional ficou também condenada ao mesmo destino. Com a imposição do socialismo num único país pela burocracia stalinista, todo o movimento operário mundial foi sacrificado em nome dos interesses da burocracia soviética. A Terceira Internacional foi dissolvida num momento extremamente crítico, a meio da Segunda Guerra Mundial, devido à vontade de Estaline de se aproximar dos governos capitalistas da Europa e dos EUA, em vez de se aliar à classe operária desses países.

Esta traição já se tinha tornado evidente anos antes, devido ao tratado de não agressão assinado com os nazis, à entrega da Revolução Espanhola aos fascistas e a inúmeros outros acontecimentos que não podemos aqui enumerar. Foi assim que a Quarta Internacional foi fundada, sob a liderança de Trotsky, a 3 de setembro de 1938. A Quarta Internacional não difere, na sua essência, das outras Internacionais. A Quarta Internacional é o partido internacional da classe operária e o único raio de esperança da humanidade contra a destruição e a extinção global causadas pelo capitalismo.

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