O plano imperialista de Trump contra os povos: Rendição incondicional na Palestina e na Ucrânia

16 de Janeiro, 2026
5 mins leitura

Por Isarn Pardes Fuses, da Luta Internacionalista (LI), secção da UIT-QI no Estado Espanhol

Por uma saída independente da classe trabalhadora diante da repartição do mundo

O que se cozinha nos gabinetes de Washington não anuncia uma era de paz, mas uma reordenação brutal das prioridades do imperialismo norte-americano. Com base nos relatórios filtrados e na análise das propostas da equipa de Trump, estamos perante uma tentativa descarada de sacrificar a soberania ucraniana no altar dos interesses geoestratégicos do imperialismo ianque e da invasão russa.

Este “plano de paz” não é mais do que um novo ‘Yalta‘, uma reedição dos pactos secretos onde as grandes potências decidem o destino das nações oprimidas acima da vontade dos seus povos. Nem a paz dos cemitérios na Palestina, nem a rendição na Ucrânia! A sua estratégia global liga duas frentes de forma cínica: impor a capitulação à Ucrânia para consolidar as trocas interimperialistas e dar luz verde ao genocídio em Gaza para consolidar o controlo no Médio Oriente.

A validação da agressão imperialista russa

O plano de Trump está centrado numa capitulação de facto perante Vladimir Putin. Ao propor o congelamento da linha da frente atual, ele não apenas legitima a ocupação militar, mas também recompensa a agressão imperialista.

O plano implica uma cessão territorial, uma vez que a Ucrânia deve renunciar de facto A cerca de 20% do seu território (Crimeia e Donbass). Isto não é autodeterminação; é um desmembramento forçado avalizado pela Casa Branca. Além disso, propõe-se a armadilha da zona desmilitarizada (que tão bem funcionou em Gaza ou no Líbano), uma zona de 800 milhas patrulhada por tropas europeias (nunca americanas). Isto transforma a Europa no gendarme que vigia a prisão em que querem transformar a Ucrânia, libertando os EUA do fardo militar. Ao mesmo tempo, recusa-se a utilizar os fundos russos congelados, NEM para financiar armas para a Ucrânia, nem uma possível reconstrução.

Como salientamos os internacionalistas, aceitar estas condições é aceitar que as fronteiras podem ser redesenhadas com sangue e fogo se o agressor tiver armas nucleares. É uma vitória política para o bonapartismo reacionário do Kremlin.

A Ucrânia como moeda de troca no tabuleiro mundial

Por que Trump está a promover este plano agora? Não é por humanismo, é por cálculo imperialista. O setor da burguesia americana que Trump representa considera que já não se trata de enfraquecer a Rússia, mas sim de dividir a Ucrânia, relegar a União Europeia e continuar a guerra comercial com a China.

Trump quer fechar a “torneira” ucraniana para concentrar recursos na sua viragem para o Pacífico e para o quintal dos Estados Unidos na América Latina. Ao mesmo tempo, vendendo uma falsa neutralidade internacional ao bloquear a entrada da Ucrânia na NATO por 20 anos, Trump oferece a Putin a garantia de segurança que ele exigia, em troca de desestabilizar o eixo Moscovo-Pequim.

A Ucrânia é tratada aqui como um peão a ser sacrificado. A burguesia ucraniana, liderada por Zelensky, ao ter ligado o seu destino completamente à NATO e não à mobilização independente do seu povo, encontra-se agora presa na sua própria armadilha, tremendo perante a mudança de senhor em Washington. Para o povo trabalhador ucraniano, isso não é paz; é uma condenação a viver sob a ocupação russa no leste e sob um governo fantoche e endividado no oeste.

A farsa da “paz” e o rearmamento

Este plano não trará a paz, mas sim uma pausa operacional numa linha de frente fortemente militarizada. Tal como os acordos de Minsk, esta trégua servirá para que o imperialismo russo reconstrua o seu exército e consolide o seu controlo sobre as zonas ocupadas, impondo o seu regime de terror policial, russificação forçada e proibição de sindicatos nos territórios sob o seu domínio. Não há saída da mão de nenhum imperialismo. O plano de Trump é a versão brutal e transacional, enquanto o plano de Biden/Harris era a guerra de desgaste até ao último ucraniano para enfraquecer a Rússia sem intervenção direta. Ambos são faces da mesma moeda opressora.

Enquanto Trump prega a “paz” na Europa Oriental, a sua receita para Gaza é a guerra total. A conexão é dialética e perversa: Trump quer fechar a torneira na Ucrânia e abri-la ao máximo em Israel. Ao contrário da hipocrisia democrata, que enviava armas enquanto pedia “contenção“, Trump instou Netanyahu a “terminar o trabalho“. O seu plano de paz para o Médio Oriente não contempla um Estado palestiniano, mas sim a normalização total de Israel com as monarquias árabes (Acordos de Abraão), passando por cima dos cadáveres de Gaza. Mas a resistência palestiniana interpôs-se no caminho.

Se na Ucrânia as fronteiras são validadas pela força, na Cisjordânia e em Gaza Trump está disposto a reconhecer a anexação formal dos territórios ocupados. Para o imperialismo, o povo palestino é um obstáculo ao desenvolvimento de negócios e infraestruturas na região.

Os revolucionários internacionalistas

A Luta Internacionalista (LI) denuncia a hipocrisia daqueles que apoiam a Ucrânia, mas se calam diante de Gaza (como a UE), e daqueles (de certa “esquerda” campista) que justificam Putin enquanto defendem a Palestina. Não se pode ser anti-imperialista a tempo parcial!

  • Rejeitamos categoricamente o plano de Trump. Mas a nossa rejeição não significa apoio à NATO nem à estratégia de Zelensky.
  • Contra os acordos de partilha: Denunciamos qualquer pacto secreto entre Trump e Putin. A classe trabalhadora internacional deve rejeitar que o destino da Ucrânia e da Palestina seja decidido em gabinetes estrangeiros. Nem Washington nem Moscovo têm o direito de decidir as fronteiras da Ucrânia. Retirada imediata das tropas russas!
  • Armas para a resistência, não para os imperialistas, sem condições políticas: O povo ucraniano tem o direito de se defender do imperialismo russo. O boicote ao envio de armas proposto por Trump é um ato de guerra contra uma nação oprimida. Em vez disso, devemos parar a máquina de guerra sionista: Boicote ativo e greves contra o envio de armas a Israel. Por uma Palestina livre, do rio ao mar!
  • Independência de classe: a única paz justa virá da derrota da invasão russa, combinada com a luta contra a própria oligarquia ucraniana e a tutela da NATO. Os trabalhadores ucranianos e as massas árabes não podem confiar nem na NATO, nem nos regimes árabes traidores, nem nas promessas de Trump. Somente a mobilização independente e armada dos povos pode garantir sua soberania.

Fora as tropas russas da Ucrânia! 

Não ao plano de paz de Trump, que é um plano de rendição! 

Por uma Ucrânia independente, operária e socialista!

Contra a paz imperialista do cemitério: Solidariedade com a resistência ucraniana e palestiniana!

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