Condenamos a subserviência e a cumplicidade do governo do PRM com os crimes de Trump contra a Venezuela

7 de Janeiro, 2026
3 mins leitura

Pelo Movimento Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (MST), secção da UIT-QI na República Dominicana

Com o ataque militar à Venezuela em 3 de janeiro, o governo imperialista e ultradireitista de Trump eleva a um novo nível a sua política imperialista de dominação hemisférica. Depois de atacar a Venezuela, Trump ameaçou realizar ataques e invasões contra a Colômbia e o México, sob pretextos semelhantes de “guerra contra o narcotráfico“, ameaçando também ocupar e anexar a Gronelândia. O regime de apartheid liderado por Luis Abinader subordinou-se totalmente a esta política norte-americana, chegando ao extremo de ceder a soberania dominicana ao entregar aeroportos e o espaço terrestre e aéreo aos militares norte-americanos para uso como parte de sua campanha militar imperialista, em violação aberta da própria constituição dominicana.

Repetindo a humilhante experiência do apoio de Hipólito Mejía à invasão norte-americana do Iraque em 2003, Abinader dá o seu apoio incondicional à agressão dos EUA contra a Venezuela. Os ataques norte-americanos no Mar das Caraíbas e no oceano Pacífico deixaram mais de uma centena de mortos e o ataque de 3 de janeiro a várias cidades venezuelanas deixou cerca de 80 mortos. No final de 2025, aviões-tanque militares dos EUA, como os que operam a partir de aeroportos dominicanos, estiveram envolvidos em dois incidentes em que quase colidiram com aviões comerciais que partiam de Curaçao e Aruba.

No seu comunicado após o sequestro de Maduro e Cilia Flores pelos EUA, Abinader insinuou que a agressão estava relacionada com o restabelecimento da democracia na Venezuela. O seu ministro da Indústria, Comércio e Mypimes (Pequenas e médias empresas), Ito Bisonó, participou numa manifestação da comunidade imigrante venezuelana em apoio à ação de Trump. Nesse caso, o governo de Abinader não invocou a suposta proibição constitucional de atividades políticas por parte de estrangeiros, que sempre utiliza para criminalizar a comunidade imigrante haitiana, demonstrando mais uma vez o seu caráter abertamente racista. Como socialistas, somos a favor do mais amplo direito à manifestação e pela eliminação das discriminações abusivas do regime liderado por Abinader.

O governo de Abinader opôs-se na CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) à emissão de um comunicado de condenação ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, alinhando-se com a corrente ultradireitista regional da qual fazem parte a Argentina, o Equador, a Costa Rica e El Salvador, entre outros governos. Já em 2025, Abinader havia declarado, violando a legalidade dominicana, o Cártel de los Soles (Cartel dos Sóis) como organização terrorista. Na realidade, como está amplamente documentado, o Cartel dos Sóis não é um cartel de produção e tráfico de drogas liderado por Maduro, mas uma forma genérica usada na Venezuela para se referir à corrupção militar em conluio com o narcotráfico desde os anos 90, antes da chegada do chavismo ao poder. O próprio Departamento de Justiça dos EUA, no julgamento contra Maduro em Nova Iorque, alterou na sua acusação contra Maduro a definição do suposto cartel, deixando de se referir a uma suposta organização e passando a referir-se a uma “cultura de corrupção“. Isto ilustra a ridícula genuflexão de Abinader.

As ações americanas contra a Venezuela, como antes as invasões do Iraque (2003) e do Panamá (1989), são crimes imperialistas cujo objetivo não tem nada a ver com restaurar os direitos democráticos do povo venezuelano, mas com uma ofensiva de subjugação contra toda a região, controlando um país estrategicamente localizado e com amplos recursos naturais, como o petróleo. Com essa dominação regional, que já se expressa em nosso país em virtude da submissão absoluta de Abinader, os norte-americanos pretendem saquear outros países por meio de coerção, chantagem ou agressão militar direta.

Solidarizamo-nos com a classe trabalhadora e a oposição de esquerda venezuelana que, sem dar o menor apoio ao regime cívico-militar-policial, se mobilizou contra a agressão imperialista. Eles representam a reserva moral do povo venezuelano e as suas melhores tradições, bem como a esperança de um futuro em que o povo venezuelano assuma as rédeas do seu próprio destino.

Nenhum povo obteve a liberdade nem conquistou os seus direitos com a ocupação militar e a colonização americana. A própria experiência dominicana com as duas invasões ianques do século XX (1965) atesta isso. Trump disse abertamente que a sua intenção é governar a Venezuela diretamente. O futuro da Venezuela e a gestão dos seus recursos naturais, incluindo o petróleo, só devem estar nas mãos do povo trabalhador venezuelano. A nossa contribuição para a luta latino-americana contra a opressão norte-americana é opormo-nos ao governo empresarial de Abinader. Os funcionários que se dizem progressistas, mas continuam no governo, nos ministérios e nas embaixadas, as organizações que se dizem de esquerda, mas persistem em fazer alianças eleitorais com o PRM (Partido Revolucionário Moderno), ficarão na história como cúmplices das atrocidades deste governo.

Fora ianques da Venezuela, das Caraíbas e da América Latina!

Ir paraTopo

Don't Miss