Por Mercedes de Mendieta, deputada nacional eleito pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U), e membro da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina
Desde a criação da Comissão de Inquérito sobre o esquema fraudulento de criptomoedas na Câmara dos Deputados, o Governo nacional e os seus aliados têm procurado, através de diversas manobras, impedir o avanço da investigação, obstruindo a definição da presidência da comissão, o que poderá ser desbloqueado nos próximos dias. Se assim for, a comissão poderá emitir um parecer com base nas investigações que jornalistas e especialistas em criptomoedas têm vindo a revelar. Esse parecer poderia até mesmo ser utilizado num processo de destituição ou numa investigação judicial. Milei, Karina e os mercenários financeiros que fizeram parte do esquema não querem que, no meio da campanha eleitoral, continuem a vir à tona novos factos que prejudiquem o governo e reafirmem o que era evidente desde 14 de fevereiro: entre “estúpido ou corrupto“, o presidente é a segunda opção.
As diversas investigações jornalísticas revelaram que Hayden Davis, criador da criptomoeda $LIBRA, foi apresentado por Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy a Karina e Javier Milei. Davis visitou a Argentina em seis ocasiões. A primeira reunião oficial foi documentada a 30 de janeiro, após a qual Davis transferiu 500.000 dólares para Novelli, que abriu um cofre no Banco Galicia. A segunda transferência foi efetuada minutos antes de Terrones Godoy e Novelli receberem o dinheiro a 4 de fevereiro, e a terceira, a 13 de janeiro, antes do lançamento da $LIBRA. A 17 de fevereiro, Novelli foi levantar o dinheiro.
O esquema fraudulento foi orquestrado e planeado por Davis, Novelli e Terrones, em conjunto com Karina e Milei. O especialista em criptomoedas Fernando Molina (especialista em blockchain) foi categórico na rede social X ao demonstrar que se tratou de uma fraude. As mentiras de que “não sabia de nada“, que “agiu por conta própria” ou que “era um negócio privado para fomentar as PME” (Pequenas e Médias Empresas) desmoronam-se perante os factos. Milei esteve envolvido na planificação prévia, impulsionou-a e promoveu-a usando a investidura presidencial, juntamente com Karina, que arrecadou os lucros, e os agiotas financeiros Novelli e Terrones Godoy, que se tornaram parte do aparelho do Estado para a usura e para atacar o povo trabalhador.
A partir da Esquerda Socialista, defendemos que o parecer da comissão de inquérito avance e também solicitámos o processo de destituição contra Milei. Também somos claros: não podemos confiar num Congresso cujos deputados e deputadas têm sido cúmplices do governo. Exigimos que a investigação avance e que se ponha fim à impunidade do vigarista Milei.