O Lula perdeu… Por que é que o Bolsonaro ganhou?

5 de Outubro, 2026
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Por Juan Carlos Giordano, deputado nacional eleito pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos (FIT-U), e membro da Esquerda Socialista (IS), secção da UIT-QI na Argentina

O resultado foi surpreendente. Numa eleição polarizada, em que as sondagens apontavam Lula como vencedor, ainda que por uma margem estreita, aconteceu o contrário. Infelizmente, venceu o filho de Jair Bolsonaro, representante da extrema-direita e de Donald Trump na região. Verificou-se um voto completamente errado por parte de centenas de milhares de pessoas que expressaram a sua rejeição a Lula da Silva desta forma e também através de uma abstenção significativa.

Lula tem governado a favor dos mais ricos, a tal ponto que 80% da população teve de se endividar para comer, além de sofrer ataques à saúde e à educação e de suportar políticas ao serviço dos grandes empresários, dos bancos e do agronegócio. Ou seja, face à ausência de soluções por parte de Lula para a classe trabalhadora e outros setores populares, verificou-se um voto de protesto. No máximo, tomou medidas parciais, completamente insuficientes, com um discurso duplo de que é um governo popular, enquanto deixava a inflação e o aumento dos preços dispararem, os salários baixos e os cortes sociais. Ou seja, ao não tocar nas bases do sistema capitalista durante os 17 anos de governos do PT, desde 2003 até hoje, criou o terreno fértil para que a direita tirasse partido e se reorganizasse novamente após a derrota sofrida em 2022, acabando por vencer agora no primeiro turno.

Perante estes governos que, com um discurso de centro-esquerda, governam a favor dos grandes capitalistas, é que promovemos a unidade da verdadeira esquerda revolucionária, tal como fazemos na Argentina com a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidos, propondo uma solução de fundo que só um governo da esquerda e da classe trabalhadora pode impor, e não o peronismo ou o lulismo no Brasil. No segundo turno, a 25 de outubro, apelamos à rejeição de Bolsonaro, alertando para o perigo que representaria ter no Brasil um governo de extrema-direita, aliado de Trump, Netanyahu e Milei. Faremos isso com a tática que o nosso partido irmão daquele país, a Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), adotará em breve.

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