O “Conselho da Paz” e a gestão do genocídio

7 de Abril, 2026
2 mins leitura

Por Maysam AbuHindi, do Partido da Democracia dos Trabalhadores (IDP), secção da UIT-QI na Turquia

Os esforços para institucionalizar o regime imperialista que se pretende estabelecer na Faixa de Gaza, sob o nome de “Conselho de Paz“, estão a ganhar impulso. Esta estrutura funciona como o braço executivo da hegemonia EUA-Israel e é responsável pela solução definitiva da questão nacional palestiniana. Esta “paz” não significa o fim da violência; pelo contrário, visa a estabilização das consequências do genocídio de forma a beneficiar o capital financeiro internacional.

O “Plano de Reconstrução de Gaza“, incluído na esfera de competências do ‘Conselho de Paz‘, é uma aplicação evidente da acumulação através da expropriação. Os projetos propostos para a “Riviera de Gaza” e a comercialização dos campos de gás natural de ‘Gaza Marine‘ representam, além da eliminação física da população palestiniana, a criação de mais-valia para as classes dominantes sionistas e americanas. O reforço das zonas tampão da “Linha Amarela” em Gaza transformou os territórios restantes em campos de trabalho isolados, sob a supervisão da Força Internacional de Estabilização (ISF). Estas zonas constituem a infraestrutura material de um Estado colonial permanente.

A burguesia árabe regional funciona como um pilar indispensável dessa “paz“. De Cairo a Riade, estes regimes atuam como contratantes de segurança que controlam as massas palestinianas, com o objetivo de impedir uma revolução que possa ameaçar o abastecimento energético global e os mercados de capitais regionais. O facto de o chamado ‘Eixo da Resistência‘ não conseguir apresentar uma alternativa estratégica confirma que a burguesia nacional e os seus aliados burocráticos não podem garantir a libertação. Os seus interesses de classe continuam ligados ao sistema financeiro global que financia o aparelho militar do ocupante.

A libertação da Palestina não é tarefa de comités diplomáticos ou acordos capitalistas. Isto requer a mobilização política independente do proletariado da região para derrubar cada um dos regimes reaccionários do Sudoeste Asiático. Rejeitamos a “paz” do ‘Conselho de Paz‘, que serve para subjugar de forma permanente a classe trabalhadora.

Apenas uma ruptura revolucionária, construída através da organização independente dos trabalhadores, refugiados e oprimidos da região, poderá quebrar este mecanismo de ocupação. Onde o objetivo é a dominação, nenhum conselho, acordo ou programa capitalista de “reconstrução” pode proporcionar a libertação. A Palestina não será libertada pelos governantes do império, mas sim pela luta de massas que derruba a ocupação, rejeita o governo colaboracionista e devolve a um povo o direito de viver livremente nas suas próprias terras.

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