Pela UIT-QI
O ultradireitista Donald Trump voltou a anunciar, neste dia 2 de dezembro, que: “Vamos começar a fazer esses ataques também em terra“, referindo-se à Venezuela e abrindo a possibilidade de fazerem o mesmo com a Colômbia. Fê-lo usando o falso argumento do narcotráfico: “Ouvi dizer que a Colômbia, o país da Colômbia, produz cocaína. Têm fábricas, certo? E depois vendem-nos cocaína. (…) Qualquer um que trafique e venda essas drogas no nosso país está sujeito a ser atacado. Não apenas a Venezuela”, advertiu Trump. Tal é o grau de agressão imperialista, que Trump “ordenou” o encerramento do espaço aéreo da Venezuela às companhias aéreas comerciais de passageiros.
Na UIT-QI, como socialistas revolucionários, repudiamos essas ameaças imperialistas e os ataques com mísseis executados pelo ultradireitista Donald Trump nas Caraíbas e no Pacífico. Desde setembro, os Estados Unidos realizaram dezenas de bombardeamentos, com um saldo de mais de 80 mortos, vários deles venezuelanos, colombianos, equatorianos e de Trinidad e Tobago. Trata-se de verdadeiros assassinatos, em águas internacionais. Várias das pessoas assassinadas da Colômbia, Venezuela e Trinidad foram reconhecidas por familiares como pescadores que realizavam tarefas com as suas pequenas embarcações nas águas do sul do Caribe.
Esta política agressiva do imperialismo norte-americano, sob o pretexto da luta contra o narcotráfico, visa intensificar a pilhagem dos recursos naturais dos países, a superexploração dos povos do mundo e frear a mobilização das massas que ameaça o conjunto do sistema capitalista/imperialista, mergulhado na sua crise mais profunda.
Todos estes ataques fazem parte de uma contraofensiva global desencadeada por Trump, que tenta reverter a crise de domínio e a crise económica dos Estados Unidos, que faz parte da crise global do capitalismo imperialista. Trump pretende “tornara América grande novamente“, como diz o seu slogan, até agora sem sucesso. Mais recentemente, tudo isso se expressou em seu apoio incondicional ao genocida Netanyahu e à limpeza étnica em Gaza e em toda a Palestina, onde ainda não conseguiram cantar vitória.
Há meses, o ultradireitista Donald Trump mobilizou aproximadamente 10.000 militares, contratorpedeiros com mísseis Tomahawk, aviões F-35 e bombardeiros estratégicos B-52, além de enviar o seu maior porta-aviões, o USS Gerald Ford, para o Mar das Caraíbas, acompanhado por um grupo de ataque composto por vários navios de guerra, muito perto das costas da Venezuela e da Colômbia. Trump acordou com o governo da República Dominicana usar o país como apoio militar.
Na verdade, todo esse destacamento militar nas Caraíbas e no Pacífico não é uma demonstração de força. Pelo contrário, evidencia as fraquezas e crises do imperialismo, que vem sofrendo retrocessos e fracassos económicos, políticos e militares há anos. Começou com a derrota no Vietname em 1975 e continuou com a retirada do Afeganistão em 2021, após 20 anos de ocupação fracassada.
Trump também não tem vida fácil nos próprios Estados Unidos, onde as últimas pesquisas mostram que mais de 70% da população se opõe a uma invasão militar na Venezuela ou em outro país. Vários parlamentares democratas e alguns republicanos questionaram a legalidade dos bombardeamentos em águas internacionais, a tal ponto que seis congressistas democratas – todos veteranos das forças armadas ou da inteligência – publicaram um vídeo no qual alertam os militares que “podem recusar ordens quando estas são ilegais“. Trump acusou os democratas de “comportamento sedicioso” e escreveu: “Cada um destes traidores do nosso país deve ser PRESO E JULGADO. Não se pode permitir que as suas palavras fiquem impunes. É PRECISO DAR O EXEMPLO”. Acrescentou que a atitude deles era “punível com a morte“.
Isto ocorre no contexto de denúncias de que o presidente norte-americano apoiou o seu secretário de Defesa por uma suposta ordem para matar dois sobreviventes no Mar das Caribas e disse que “muito em breve” lançarão operações dentro da Venezuela. Uma reportagem do ‘The Washington Post‘, com base em depoimentos de funcionários do Pentágono, indicou que o secretário de Guerra/Defesa, Pete Hegseth, havia dado a ordem verbal para matar dois sobreviventes que se agarravam aos destroços do navio em chamas. O almirante Frank Bradley, chefe do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), aparentemente transmitiu a ordem às suas forças, que lançaram um ataque adicional onde os dois sobreviventes indefesos morreram.
A UIT-QI e as suas secções reafirmam a sua repulsa por esta ação criminosa de Trump nas Caraíbas e no Pacífico, as suas ameaças de agressão militar contra a Venezuela e a Colômbia, bem como qualquer bombardeamento ou invasão dos seus territórios. Trump também incluiu nas suas ameaças a exigência de que Nicolás Maduro renuncie ao poder, questão que também repudiamos.
A UIT-QI e o Partido Socialismo e Liberdade (PSL), sua seção venezuelana, não apoiamos o governo de Maduro, que consideramos uma ditadura capitalista, que sob um falso discurso socialista reprime e explora o povo trabalhador; é o povo trabalhador venezuelano que deve decidir seu destino, e não o imperialismo genocida dos Estados Unidos. Por isso repudiamos a agressão imperialista nas costas da Venezuela, bem como qualquer ataque ou tentativa de invasão militar ao país.
A partir da UIT-QI, apelamos aos povos da América Latina e do mundo para que repudiem e se mobilizem para rejeitar a presença de navios de guerra e tropas dos EUA no mar das Caraíbas e no Pacífico. O presidente da Colômbia, Petro, também rejeitou as ameaças agressivas de Trump. Propomos que convoque um dia de repúdio e uma mobilização continental para derrotar Trump, e que Lula, no Brasil, se pronuncie no mesmo sentido, o que até agora não aconteceu. Que as organizações políticas, sindicais, estudantis, de mulheres e da comunidade LGBTQIA+ , que se dizem democráticas e anti-imperialistas, convoquem em cada país mobilizações unitárias nas ruas ou em frente às embaixadas ou consulados dos Estados Unidos.
Chega de bombardeamentos navais e assassinatos no Caribe e no Pacífico!
Não às ameaças intervencionistas de Trump e do imperialismo sobre a Venezuela e a Colômbia!
Trump fora da América Latina!